Resumo
Objetivo Avaliar os efeitos da toxina botulínica (BTX-A) sobre o tônus muscular e mobilidade articular de crianças com síndrome congênita do Zika (SCZ).
Métodos Trata-se de uma série de casos longitudinal realizada em um Centro de Apoio a Criança com Microcefalia, localizado no nordeste do Brasil. A coleta de dados foi realizada a partir dos prontuários dessa instituição, com o registro de informações sobre o tônus muscular e a mobilidade articular passiva, mensuradas pelo menos 3 meses antes e 4 semanas após a aplicação da BTX-A.
Resultados Foram avaliadas 13 crianças (9 meninos) com idade média de 77 ± 7,1 meses. Após a aplicação da BTX-A, foi observada redução bilateral do nível de hipertônia nos músculos flexores do cotovelo (p < 0,01) e adutores de quadril (p < 0,05) bilateralmente.
Conclusão Nenhuma mudança foi observada na mobilidade articular e nenhum efeito adverso foi relatado pelos cuidadores após a aplicação. O uso da BTX-A é capaz de promover a redução do nível de hipertonia de crianças com SCZ, sem impactar a mobilidade articular.
Palavras-chave
artrometria articular - espasticidade muscular - hipertonia muscular - infecção pelo Zika vírus