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CC BY 4.0 · Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2026; 41: s00451814409
DOI: 10.1055/s-0045-1814409
Artigo Original

Quem moldou a Revista Brasileira de Cirurgia Plástica? Uma retrospectiva de 40 anos

Article in several languages: português | English

Authors


Suporte Financeiro Os autores declaram que não receberam suporte financeiro de agências dos setores público, privado ou sem fins lucrativos para a realização deste estudo.
 

Resumo

Introdução

A Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) é a publicação oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que celebra 40 anos de existência em 2025. Ao longo de sua história, somente um número limitado de estudos analisou o conteúdo publicado pelo periódico. O objetivo deste estudo é realizar uma análise abrangente de todas os artigos acessíveis no website da RBCP.

Materiais e Métodos

Foi realizado um estudo descritivo e retrospectivo, em que foram analisados os artigos publicados na RBCP. O critério de inclusão foi todos os artigos publicados e acessíveis no website do periódico entre o volume 12, número 1 (1997), e o volume 39, número 3 (2024). O estudo considerou os seguintes tipos de artigo: “artigo original,” “artigo especial, “artigo de revisão,” “relato de caso,” “carta ao editor,” “editorial” e “ideias e inovações.”

Resultados

Foram analisados 2.706 artigos publicados. Foi estabelecido um ranking dos 25 principais autores entre os 4.827 colaboradores identificados, juntamente com suas respectivas instituições. As maiores comunidades de coautoria foram mapeadas.

Conclusão

Ao mapear seus principais colaboradores e redes de pesquisa, este estudo oferece uma análise bibliométrica abrangente da RBCP.


Introdução

A Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) é a publicação científica oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em circulação contínua desde 1986, e completa 40 anos em 2025.[1] O periódico se dedica à disseminação de resultados de pesquisas e avanços em cirurgia plástica e reconstrutiva, e atua como uma plataforma para o intercâmbio de conhecimento científico e inovação na área.[2] Publicada trimestralmente, a RBCP inclui artigos originais, relatos de caso, revisões sistemáticas e inovações cirúrgicas, e promove a educação continuada para especialistas no Brasil e no exterior. Com foco em conteúdo científico de alta qualidade,[3] é uma plataforma fundamental para o intercâmbio de conhecimento entre cirurgiões, pesquisadores e profissionais de saúde, e reforça a influência do Brasil na comunidade global de cirurgia plástica. Ao longo de sua história, poucos artigos[4] analisaram o conteúdo publicado pela RBCP.

A avaliação da evolução de um periódico por meio de marcos importantes é uma prática bem estabelecida na pesquisa bibliométrica.[5] A bibliometria examina indicadores quantitativos da produção científica, que podem incluir o número de publicações, o impacto de citações e as redes de colaboração. Essas métricas facilitam a comparação sistemática do impacto dos autores na comunidade científica.[6] Há alguns exemplos de tendências bibliométricas gerais em cirurgia plástica e outras áreas. O periódico Plastic and Reconstructive Surgery foi objeto de uma análise acerca de seus 75 anos de história,[7] que destacou como a medicina baseada em evidências revolucionou o campo. Em outro estudo,[8] a evolução das tendências de publicação em cirurgia plástica foi analisada de 1980 a 2010, com foco em mudanças nos temas de pesquisa, padrões de autoria e impacto de citações. Uma abordagem bibliométrica longitudinal foi empregada para examinar a produção científica e as redes de colaboração neste campo; os resultados fornecem informações valiosas sobre a progressão das contribuições acadêmicas e a influência das inovações científicas em cirurgia plástica.[8] A própria RBCP foi o tema de um estudo sobre tendências de publicação de 2010 a 2019,[4] que analisou padrões de autoria, temas de pesquisa e impacto de citações. Uma abordagem bibliométrica foi empregada para avaliar a evolução das contribuições científicas e o papel do periódico na disseminação dos avanços em cirurgia plástica.[4] Da mesma forma, a trajetória centenária dos Anais Brasileiros de Dermatologia foi analisada,[5] com a identificação de seus colaboradores mais influentes e mapeamento de redes de coautoria. Utilizando abordagens bibliométricas e cienciométricas, o estudo[5] examinou padrões de autoria, dinâmicas de colaboração e impacto acadêmico; seus resultados trouxeram conceitos importantes sobre a evolução do periódico e seu papel na pesquisa dermatológica. Por fim, o Aesthetic Plastic Surgery Journal foi objeto de uma análise bibliométrica de artigos publicados de 1976 a 2023,[9] centrada em tendências de publicação, produtividade dos autores e padrões de citação.

Com base em pesquisas bibliométricas prévias em cirurgia plástica, este estudo visa fornecer uma análise abrangente da trajetória de quatro décadas da RBCP. Ao identificar seus colaboradores mais influentes e mapear as redes de coautoria, o estudo busca oferecer insights sobre o impacto científico e o cenário colaborativo do periódico.


Materiais e Métodos

Este estudo é aplicado, descritivo e quantitativo, com uso de um procedimento documental no website oficial da RBCP. Esta seção descreve a abordagem metodológica, e detalha o processo de coleta de dados, o pré-processamento dos dados e o cálculo de métricas relacionadas aos autores.

Coleta de Dados

A coleta de dados foi realizada por meio de web scraping, uma técnica que permite a extração automatizada de informações de websites.[10] Para facilitar esse processo, um scraper personalizado foi desenvolvido para a recuperação de dados de todas as edições disponíveis da RBCP (https://www.rbcp.org.br/). O scraper foi executado em 23 de fevereiro de 2025, às 10 horas, e capturou por completo os dados de acesso público do periódico naquele momento. O conjunto de dados abrange 28 anos de histórico de publicações, do volume 12, número 1 (1997), ao volume 39, número 3 (2024). Esse procedimento levou à recuperação de 2.706 contribuições, incluindo artigos originais, artigos especiais, artigos de revisão, relatos de caso, cartas ao editor, editoriais e artigos sobre ideias e inovações. Devido à indisponibilidade dos volumes 1 a 11 no website do periódico, essas publicações não foram incluídas na análise, o que gerou uma limitação quanto à cobertura temporal do estudo.


Pré-processamento dos Dados

Após a aquisição dos dados, o pré-processamento foi realizado para a extração dos nomes dos autores, com a identificação de 11.292 entradas únicas. Um grande desafio na análise bibliométrica é a ambiguidade dos nomes, que pode ser decorrente de variações na formatação, uso inconsistente de iniciais, ou mudanças de nome ao longo do tempo. Para aumentar a precisão, o algoritmo de distância de Levenshtein foi aplicado para a detecção e a consolidação das variantes de nomes. Esse processo revelou múltiplas discrepâncias, como a de Dov Charles Goldenberg, cujo nome apareceu em vários formatos (como “Dov Goldenberg”, “Dov C Goldenberg” e “Charles Goldenberg”, por exemplo). Após a padronização, o número total de autores distintos foi reduzido para 4.827, o que melhorou a confiabilidade das métricas baseadas em autoria. Abordagens semelhantes de desambiguação de nomes foram empregadas com sucesso em pesquisas bibliométricas, e contribuíram para avaliações mais precisas do impacto do autor e das redes colaborativas.[5] [11] A afiliação institucional de cada autor foi determinada com base em três fontes com a seguinte ordem de prioridade: 1) a página do Conselho Editorial da RBCP; 2) a publicação mais recente do autor; e 3) o banco de dados da plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nos casos em que múltiplas afiliações estavam associadas ao mesmo autor, foi dada preferência à afiliação a uma instituição de ensino superior.


Computação das Métricas dos Autores

O grafo da rede de colaboração e a computação das métricas de autores foram feitos por meio do Gephi (código aberto; https://gephi.org/), uma ferramenta especializada em análise de redes sociais (social network analysis, SNA, em inglês).[12] A teoria dos grafos tem papel fundamental na SNA, pois fornece uma estrutura abstrata para a representação de autores (nós) e suas coautorias (arestas). O grafo representa a estrutura geral de coautoria, pois captura padrões de colaboração científica no histórico do periódico. Cada aresta tem um peso que quantifica a frequência de colaboração entre coautores; o peso maior indica publicações conjuntas repetidas. O grafo é classificado como não direcionado, uma vez que a ordem dos autores nas publicações não foi considerada.

Este estudo aplica a teoria dos grafos, que serve como base teórica para a SNA, para a avaliação da influência autoral e dos padrões de colaboração do periódico. Os seguintes indicadores foram computados:

  • Número de publicações (Pub, do inglês number of publications): representa o total de publicações para as quais um autor contribuiu, independentemente de sua posição entre os coautores. Essa métrica dá uma visão geral da produtividade científica de um autor.

  • Grau (Deg, do inglês degree): mede o número de coautores distintos com os quais um indivíduo colaborou. Essa métrica é crucial em redes de coautoria, pois revela comportamentos colaborativos e padrões de conectividade dentro da comunidade acadêmica. Autores com alta centralidade de grau funcionam como polos-chave, ao facilitar a troca de conhecimento, ideias de pesquisa e colaborações interdisciplinares. Esses indivíduos frequentemente exercem influência significativa sobre a disseminação de avanços científicos em sua área.[13]

  • Centralidade de intermediação (BC, do inglês betweenness centrality): essa métrica quantifica o papel de um autor como ponte entre diferentes grupos de pesquisa, ao destacar sua influência na disseminação do conhecimento e na colaboração interdisciplinar.[14]

  • PageRank (PR): originalmente desenvolvido pelo Google (Alphabet Inc.), o PR determina a importância das páginas da web com base em sua estrutura de links. Recentemente, tem sido aplicado em redes de citações científicas para identificação de pesquisadores de alto impacto. Neste estudo, o PR foi usado para detectar autores que ocupam posições de liderança na comunidade de pesquisa da RBCP, demonstrando sua proeminência em interações acadêmicas.[15] [16]

  • Detecção de comunidade (Com, do inglês community detection): as comunidades de coautoria foram identificadas pelo algoritmo de Louvain, um método amplamente utilizado para detectar agrupamentos (clusters) em redes.[17] A classificação da comunidade é baseada em tamanho, em que a Comunidade 1 representa a maior, seguida da Comunidade 2, e assim por diante. Essa classificação permite a identificação de subgrupos colaborativos, e destaca áreas de concentração de pesquisa, afiliações institucionais ou conexões interdisciplinares na rede acadêmica do periódico.

Ao alavancar a análise de rede, essa abordagem facilitou a identificação dos principais líderes de opinião, pesquisadores altamente colaborativos e tendências estruturais na comunidade acadêmica do periódico.[14]



Resultados

A [Tabela 1] lista os autores com mais de 25 publicações na RBCP, e identifica os colaboradores mais prolíficos do periódico. Esse critério permitiu a identificação dos 25 autores com mais publicações, que representam 0,51% dos 4.827 colaboradores do periódico. Coletivamente, esses autores respondem por 1.102 dos 2.706 artigos publicados na RBCP com acesso público até o seu 39° volume, o que ressalta a sua contribuição significativa para o periódico.

Tabela 1

Classificação

Autor

Pub

Deg

BC

PR

Com

Instituição

1

Marcus Castro Ferreira

115

173

0,072815

0,005929

1

USP

2

Lydia Masako Ferreira

103

214

0,195687

0,006541

2

Unifesp

3

Dov Charles Goldenberg

89

49

0,018001

0,001315

1

USP

4

Jose Carlos Daher

55

58

0,005578

0,001560

18

Hospital Daher

5

Salustiano Gomes de Pinho Pessoa

51

49

0,028646

0,002062

8

UFC

6

Rolf Gemperli

50

111

0,029867

0,002693

1

USP

7

Renato da Silva Freitas

47

94

0,104108

0,002686

5

UFPR

8

Pedro Bins Ely

41

49

0,007023

0,001727

7

UFCSPA

9

Marcela Caetano Cammarota

40

55

0,023113

0,001148

18

Hospital Daher

10

Claudio Cardoso de Castro

39

42

0,039580

0,001382

3

Uerj

11

Aymar Edison Sperli

39

24

0,005262

0,001157

2

FCMSCSP

12

Jorge Bins Ely

38

49

0,003598

0,001609

16

UFSC

13

Katia Torres Batista

38

39

0,014414

0,001694

13

Rede SARAH

14

Antonio Roberto Bozola

37

59

0,014985

0,002028

22

Famerp

15

Ricardo Baroudi

34

29

0,030129

0,000953

1

PUC-SP

16

Fabio Xerfan Nahas

32

50

0,028834

0,001632

2

USP

17

Ivo Pitanguy

30

72

0,041094

0,002299

12

PUC-Rio

18

Jefferson Lessa Soares de Macedo

30

53

0,020018

0,001740

13

Fepecs

19

Milton Paulo de Oliveira

30

39

0,003724

0,001441

11

PUCRS

20

Osvaldo Ribeiro Saldanha

29

94

0,043816

0,002555

4

Unimes

21

Hugo Alberto Nakamoto

29

45

0,005031

0,001314

1

USP

22

Ewaldo Bolivar de Souza Pinto

27

72

0,011139

0,001981

4

Unisanta

23

Evaldo A. D Assumpção

27

10

0,037816

0,000274

7

PUC Minas

24

Diogo Franco

26

43

0,032639

0,001620

17

UFRJ

25

Marcos Ricardo de Oliveira Jaeger

26

39

0,003876

0,001226

11

PUCRS

A tabela traz a classificação dos autores em ordem decrescente, com base em seu número de publicações, e apresenta suas pontuações de Deg, BC e PR, que refletem sua proeminência na rede de coautoria. Além dos 25 primeiros, foram identificados 22 autores com pelo menos 20 publicações, 106 autores com 10 a 19 publicações, 322 autores com 5 a 9 publicações, 1.233 autores com 2 a 4 publicações, e 3.119 autores que somente contribuíram com 1 artigo. Notavelmente, 64,61% dos autores da RBCP publicaram apenas 1 vez, o que reflete uma alta proporção de colaboradores únicos.

Os cinco autores com maior classificação em cada métrica-chave (Pub, Deg, BC e PR) foram identificados. Com base na Pub, os 5 colaboradores mais prolíficos para a história do RBCP foram Marcus Castro Ferreira (classificação = 1), autor de 115 publicações, seguido de Lydia Masako Ferreira (classificação = 2), com 103 artigos, Dov Charles Goldenberg (classificação = 3), com 89, Jose Carlos Daher (classificação = 4), com 55, e Salustiano Gomes de Pinho Pessoa (classificação = 5), com 51 contribuições. Esses 5 autores são responsáveis por 413 artigos, o que corresponde a mais de 15% do total de publicações do periódico ao longo do período analisado. Os 25 autores com maiores classificações publicaram, em média, 44,08 ± 23,68 artigos, o que reflete um subgrupo altamente prolífico. Por outro lado, a média geral de publicações por autor foi significativamente menor, de 2,34 ± 4,35. Essa discrepância acentuada destaca a predominância de um pequeno subconjunto de autores com alta prolificidade na formação do cenário de publicações da RBCP.

Em termos de grau (Deg), uma medida do alcance colaborativo de um autor com base no número de coautores únicos, os maiores valores foram obtidos por Lydia Masako Ferreira (classificação = 2), com 214 coautores, Marcus Castro Ferreira (classificação = 1), com 173, Rolf Gemperli (classificação = 6), com 111, Renato da Silva Freitas (classificação = 7), com 111, e Osvaldo Ribeiro Saldanha Junior (classificação = 20), com 111 coautores. Os 25 autores mais bem classificados tiveram, em média, 64,44 ± 45,08 coautores, um número substancialmente maior do que a média geral de 7,1 ± 7,76. Esse contraste ressalta as redes colaborativas bastante maiores dos autores mais prolíficos em comparação à população geral de autores.

Os autores com as maiores pontuações de BC tiveram papel fundamental na conexão de comunidades distintas de pesquisa dentro da RBCP. Os principais contribuidores dessa métrica foram Lydia Masako Ferreira (classificação = 2), Renato da Silva Freitas (classificação = 7), Marcus Castro Ferreira (classificação = 1), Nivaldo Alonso (classificação = 26; Pub = 25; Deg = 63; e BC = 0,046047) e Osvaldo Ribeiro Saldanha (classificação = 20). Apesar de não estar entre os 25 autores principais, a alta pontuação de BC de Nivaldo Alonso reflete suas colaborações extensas em múltiplas comunidades de pesquisa. O PR médio entre os 25 autores principais foi de 0,032832 ± 0,041129, significativamente maior do que a média geral de 0,000654 ± 0,004341.

Os valores maiores de PR identificam autores que ocupam posição de destaque na RBCP, provavelmente devido aos seus papéis influentes na orientação de pesquisadores emergentes na área. Nessa métrica, os autores mais notáveis foram Lydia Masako Ferreira (classificação = 2), Marcus Castro Ferreira (classificação = 1), Rolf Gemperli (classificação = 6), Renato da Silva Freitas (classificação = 7) e Osvaldo Ribeiro Saldanha (classificação = 20). O PR médio entre os 25 autores mais bem classificados foi de 0,002023 ± 0,01384, ao passo que o PR médio entre todos os autores foi substancialmente menor, de 0,000207 ± 0,000218. Nesse contexto, o PR quantifica a influência dos autores na rede de pesquisa da RBCP; baseia-se no princípio de que a importância de um autor aumenta com a sua participação frequente como coautor em publicações de outros pesquisadores influentes. Isso ressalta a influência desses pesquisadores, pois suas colaborações aumentam a visibilidade e o alcance de outros autores na rede da RBCP.

A [Fig. 1] apresenta os 25 autores com maior classificação, suas colaborações e comunidades de pesquisa. Quanto maior o nó, maior o número de publicações do autor. A espessura do link representa a frequência de coautorias. Os nós de cores diferentes indicam comunidades distintas de coautoria.

Zoom
Fig. 1 Os 25 autores principais e suas redes de coautoria.

A maior comunidade de coautoria, representada em lilás na [Fig. 1], compreende 339 membros, associados principalmente à Universidade de São Paulo (USP). Este grupo inclui 5 dos autores mais bem classificados, com Marcus Castro Ferreira (classificação = 1) e Dov Charles Goldenberg (classificação = 3) como seus principais colaboradores. Representando 6,3% de todos os autores da RBCP e 20% daqueles entre os 25 principais autores, esta comunidade tem papel significativo na história do periódico. A segunda maior comunidade de coautoria, representada em verde, é composta por 265 autores e tem 3 daqueles mais bem classificados, afiliados principalmente à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); este grupo é liderado por Lydia Masako Ferreira (classificação = 2). A terceira maior comunidade de coautoria, representada em azul, compreende 187 membros e é liderada por Claudio Cardoso de Castro (classificação = 10), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Notavelmente, esse é o único autor desse grupo a aparecer entre os 25 mais bem classificados. A quarta maior comunidade de coautoria, representada em cinza-escuro, compreende 180 membros e é liderada por 2 autores de classificação elevada: Osvaldo Ribeiro Saldanha (posição = 20), da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), e Ewaldo Bolívar de Souza Pinto (posição = 22), da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Ambas as instituições estão localizadas em Santos, São Paulo, o que destaca uma colaboração acadêmica regional. Vale ressaltar que Osvaldo Ribeiro Saldanha também estabeleceu colaborações com os principais autores das comunidades da USP e da Unifesp, o que fortalece as redes acadêmicas interinstitucionais. Ao conectar redes de pesquisa da USP e da Unifesp, essas colaborações aprimoram suas métricas de BC e PR, e reforçam seu papel essencial na estrutura de coautoria da RBCP.

A quinta maior comunidade de coautoria, representada em laranja, é composta por 172 membros. Essa comunidade é liderada por Renato da Silva Freitas (classificação = 7), da Universidade Federal do Paraná (UFPR); notavelmente, Freitas é o único representante de sua instituição entre os autores mais bem classificados. A sexta maior comunidade, com 171 membros, é a maior a não apresentar nenhum autor entre os mais bem classificados, o que sugere uma rede de pesquisa mais descentralizada ou emergente. A sétima maior comunidade, representada em verde-mar, é composta por 167 membros e inclui 2 autores bem classificados: Pedro Bins Ely (classificação = 8), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e Evaldo A. D'Assumpção (classificação = 23), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). A oitava maior comunidade, representada em marrom, conta com 161 membros e se destaca pela presença de Salustiano Gomes de Pinho Pessoa (classificação = 5), da Universidade Federal do Ceará (UFC), entre os autores mais bem classificados. Juntas, essas comunidades expandem ainda mais o cenário colaborativo da RBCP, com diferentes graus de influência dos autores de alta classificação. Essas 8 comunidades maiores abrangem 1.642 autores, o que representa 34% dos colaboradores do periódico.

A [Fig. 1] também ilustra as redes de coautoria entre autores. A colaboração mais frequente foi observada entre José Carlos Daher e Marcela Caetano Cammarota, com 33 publicações em coautoria. A segunda colaboração mais frequente, que ocorreu 24 vezes, foi entre Diogo Franco e Talita Franco (classificação = 29; Pub = 25); no entanto, essa parceria não é retratada, pois Franco não figura entre os autores mais bem classificados. A terceira colaboração mais frequente ocorreu entre Marcus Castro Ferreira e Hugo Alberto Nakamoto, com 22 publicações em coautoria.


Conclusão

Este estudo examina o histórico de publicações da RBCP por meio da análise de todos os volumes e suas respectivas publicações disponíveis no website do periódico. Foram identificadas 2.706 contribuições, de 4.827 autores distintos. A classificação dos 25 autores principais foi estabelecida com base em indicadores bibliométricos importantes, incluindo Pub, Deg, BC e PR.

Os achados revelaram que Marcus Castro Ferreira é o autor mais prolífico em termos de número de publicações, ao passo que Lydia Masako Ferreira surge como a colaboradora mais influente de acordo com as outras métricas. Além disso, Dov Charles Goldenberg, José Carlos Daher e Salustiano Gomes de Pinho Pessoa destacam-se por sua produção, ao passo que Rolf Gemperli, Renato da Silva Freitas e Osvaldo Ribeiro Saldanha ocupam posições significativas em termos de influência na rede. Além disso, 64,61% de todos os autores somente contribuíram com 1 artigo para o periódico. O estudo também mapeou as principais comunidades de coautoria, e detalhou seu tamanho, seus membros principais e suas afiliações institucionais.

Esses resultados fornecem uma visão geral abrangente das contribuições científicas à RBCP, e destacam os profissionais e as redes colaborativas com papel central na formação da história do periódico até o seu quadragésimo aniversário.



Conflitos de Interesses

Os autores não têm conflito de interesses a declarar.

Disponibilidade dos Dados

Os dados serão disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente.


Contribuições dos Autores

SDSC: análise e/ou interpretação de dados, análise estatística, coleta de dados, conceitualização, concepção do estudo e delineamento experimental, gerenciamento de recursos, gerenciamento do projeto, investigação, metodologia, realização de cirurgias e/ou experimentos, redação – manuscrito original, e software; e HCG: análise e/ou interpretação de dados, aprovação do manuscrito final, coleta de dados, concepção do estudo e delineamento experimental, e redação – revisão & edição.


Ensaios Clínicos

Nenhum.


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Endereço para correspondência

Sandro da Silva Camargo
Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada, Universidade Federal do Pampa
Bagé, RS, 96413–172
Brazil   

Publication History

Received: 28 March 2025

Accepted: 22 July 2025

Article published online:
13 February 2026

© 2026. The Author(s). This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution 4.0 International License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)

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Rua Rego Freitas, 175, loja 1, República, São Paulo, SP, CEP 01220-010, Brazil

Bibliographical Record
Sandro da Silva Camargo, Helena Cargnelutti Grimaldi. Quem moldou a Revista Brasileira de Cirurgia Plástica? Uma retrospectiva de 40 anos. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2026; 41: s00451814409.
DOI: 10.1055/s-0045-1814409
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Fig. 1 Os 25 autores principais e suas redes de coautoria.
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Fig. 1 Top 25 authors and their coauthorship networks.