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DOI: 10.1055/s-0046-1816074
Avaliação histopatológica da resposta inflamatória e formação capsular com implantes lisos, texturizados e de poliuretano em ratos
Article in several languages: português | EnglishAuthors
Suporte Financeiro Os autores declaram que não receberam suporte financeiro de agências dos setores público, privado ou sem fins lucrativos para a realização deste estudo.
Ensaios Clínicos Nenhum.
Resumo
Introdução
As próteses mamárias de silicone, idealizadas na década de 1960, passaram por diversas modificações para minimizar a resposta inflamatória e a contratura capsular. Pesquisas em biomateriais possibilitam melhor compreensão da interação entre o implante e o tecido, especificada por inovação, reparo, regeneração e contratura capsular.
Objetivo
Avaliar a resposta biológica de diferentes implantes: liso, texturizado e revestido de poliuretano, identificar complicações associadas e comparar a formação capsular pós-operatória em animais submetidos aos implantes.
Materiais e Métodos
Foram utilizados 10 ratos Wistar, fêmeas, com aproximadamente 3 meses e peso entre 200 e 250 gramas, divididos em 2 grupos. Cada rato recebeu três implantes, um de cada tipo. Foram realizadas análise histopatológica, por um patologista cego à origem das amostras. Não houve diferença estatística relevante (p > 0,05) na inflamação aguda entre os implantes. Para inflamação crônica, os implantes texturizados e poliuretano diferiram significativamente (p < 0,05) dos lisos. A ocorrência de corpo estranho foi maior em implantes de poliuretano em comparação com lisos e texturizados (p < 0,05). Não houve diferença estatística para tecido de granulação e fibrose (p > 0,05).
Conclusão
Em comparação com os implantes lisos e texturizados, os implantes revestidos por poliuretano causaram maior ocorrência de corpo estranho, maior inflamação crônica, com maior presença de tecido de granulação.
Palavras-chave
contratura capsular em implantes - ensaio clínico - implante mamário - inflamação - materiais biocompatíveisIntrodução
Idealizadas por Cronin e Gerow na década de 1960, as próteses mamárias de silicone têm passado por inúmeras modificações com o objetivo de minimizar os efeitos adversos e promover melhorias nos resultados obtidos.[1] A contratura capsular é o efeito colateral mais comum em implantes de mama, e também a complicação que os cirurgiões plásticos desejam ao máximo evitar.[2] É definida como uma reação do tipo corpo estranho, no qual se forma o tecido cicatricial ao redor do implante mamário. Histologicamente, a contratura capsular consiste de uma estrutura com diversas camadas compostas de fibroblastos, fibrócitos, miofibroblastos e histiócitos envolvidos por tecido acelular e rico em fibras colágenas.[2]
Os materiais e texturas utilizados nos implantes estão fortemente relacionados à resposta inflamatória e ao grau de contratura capsular, de acordo com o qual a contratura, quando identificada, é definida em graus que variam de I a IV, conforme a classificação de Baker, estabelecida em 1981, de acordo com os sintomas e o exame físico das mamas.[3]
Estudos sobre contratura capsular apontam diferenças nas respostas inflamatórias entre implantes lisos e texturizados, mas as análises relacionadas a implantes revestidos de poliuretano ainda são limitadas.[4]
Uma das tentativas de redução das contraturas capsulares resultou no desenvolvimento das próteses de superfície texturizada; porém, a intensidade da reação inflamatória ao redor da prótese não demonstrou mudança significativa.[4] Já os implantes cobertos com espuma de poliuretano, lançados na década de 1970, surgiram como alternativa para minimizar a inflamação e a contratura associada aos implantes lisos e texturizados.[5]
Um implante ideal, conforme os critérios de Scales (1953), deve ser inerte, não causar reações adversas ou carcinogênese, resistir a forças mecânicas e manter a integridade no tecido.[5]
É essencial compreender a interação histopatológica entre o tecido e o revestimento do implante para avaliar o risco de inflamação crônica ou evento imunológico, que pode influenciar diretamente na segurança e na durabilidade do material, sendo que a escolha do tipo de revestimento é um fator determinante na resposta biológica do organismo, podendo impactar na formação da cápsula fibrosa ao redor do implante e na ocorrência de complicações, como a contratura capsular.[6]
Estudos contínuos são essenciais para compreender a interação histopatológica entre o tecido e o revestimento do implante para avaliar o risco de inflamação crônica ou reação necessários para identificar materiais e superfícies que minimizem essas contraturas capsulares e quadros inflamatórios.[7]
Objetivo
Geral: Avaliar histologicamente a resposta inflamatória e a contratura capsular dos implantes lisos, texturizados e revestidos de poliuretano no dorso de ratos Wistar.
Objetivos específicos
-
a) Identificar as complicações resultantes do procedimento de acordo com cada implante utilizado;
-
b) Comparar a formação capsular pós-operatória nos animais submetidos aos implantes.
Materiais e Métodos
Animais de experimentação: Foram utilizados 10 ratos Wistar, fêmeas, com aproximadamente 3 meses de idade e peso entre 200 e 250 g.
Delineamento experimental: O estudo comparou a resposta inflamatória e formação capsular de três tipos de implantes de silicone: lisos (A), texturizados (B) e revestidos com poliuretano (C). Os animais foram divididos em 2 grupos (n = 5) e receberam 1 implante de cada tipo. A análise histopatológica foi realizada após 4 meses.
Material de experimentação: Foram utilizados implantes de silicone discoides fornecidos pela Silimed (Silimed Indústria de Implantes Ltda):
Lisos: 2,3 cm diâmetro x 0,4 cm espessura, 3,18 cm3; conforme a [Fig. 1].


Texturizados: 2,4 cm diâmetro x 0,7 cm espessura, 3,61 cm3; conforme a [Fig. 2].


Poliuretano: 2,5 cm diâmetro x 0,9 cm espessura, 4,0 cm3, conforme a [Fig. 3].


Todos esterilizados por óxido de etileno.
Procedimento cirúrgico
Anestesia: Os ratos foram anestesiados com ketamina 10% (40 mg/kg) e xilazina 2% (5 mg/kg) via intramuscular. A duração da anestesia foi de aproximadamente 3 horas. Após a anestesia, foi realizada tricotomia da região dorsal ([Fig. 4]).


Inserção dos implantes: Realizou-se incisão transversal de 3 cm no dorso, criando 3 lojas subcutâneas para implantes lisos, texturizados e revestidos de poliuretano. Conforme as [Figs. 5] [6].




Após inserção dos implantes, foi feito uma sutura simples entre as lojas subcutâneas, para que os implantes não se sobrepusessem ([Fig. 7]).


Por fim, a pellis foi fechada com sutura simples com nylon 4-0 ([Fig. 8]).


Remoção dos implantes: Após 4 meses, os animais foram reoperados sob anestesia semelhante e sacrificados com dose letal de ketamina e xilazina.
As incisões transversais e horizontais no dorso permitiram a visualização dos implantes ([Fig. 9]) que estavam em suas respectivas lojas subcutâneas. Cada implante foi dissecado separadamente para obtenção da cápsula que o envolvia. As margens cirúrgicas das peças histológicas constituíam os rebordos dos implantes, onde se ressecou a área desde a pellis até o plano muscular ([Fig. 10]).




Análise histopatológica
Por fim, as membranas que revestiam os implantes foram retiradas ([Figs. 11] [12] [13]) e fixadas em formol a 10% para futura análise histopatológica. Cada amostra recebeu um código referente ao número do rato e ao tipo de implante (ex.: 1A: 1° rato e implante liso; 1B: 1° rato e implante texturizado; 1C: 1° rato e implante revestido de poliuretano).






Complicações: Dois animais apresentaram reação intensa e extruíram os implantes lisos e texturizados, sendo excluídos do estudo. Os implantes revestidos de poliuretano permaneceram, permitindo análise da membrana remanescente.
Resultados
Os resultados encontrados pela análise histopatológica, foram convertidos para algarismos para permitir a análise estatística das variáveis analisadas conforme [Tabela 1].
|
IC95% |
||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
|
Variável |
Comparação |
Diferença média |
Erro padrão |
p |
Inferior |
Superior |
|
Material refringente |
Poliuretano x liso |
0,600 |
0,207 |
0,022 |
0,081 |
1,119 |
|
Texturizado x liso |
0,000 |
0,219 |
1,000 |
−0,547 |
0,547 |
|
|
Texturizado x poliuretano |
−0,600 |
0,207 |
0,022 |
−1,119 |
−0,081 |
|
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Linfócitos |
Poliuretano x liso |
0,300 |
0,188 |
0,266 |
−0,170 |
0,770 |
|
Texturizado x liso |
−0,500 |
0,198 |
0,048 |
−0,995 |
−0,005 |
|
|
Texturizado x poliuretano |
−0,800 |
0,188 |
0,001 |
1,270 |
−0,330 |
|
|
Neutrófilos |
Poliuretano x liso |
−0,350 |
0,325 |
0,537 |
−1,163 |
0,463 |
|
Texturizado x liso |
−0,625 |
0,342 |
0,183 |
−1,482 |
0,232 |
|
|
Texturizado x poliuretano |
−0,275 |
0,325 |
0,678 |
−1,088 |
0,538 |
|
|
Macrófagos |
Poliuretano x liso |
−0,025 |
0,224 |
0,993 |
−0,587 |
0,537 |
|
Texturizado x liso |
−0,750 |
0,237 |
0,011 |
−1,342 |
−0,158 |
|
|
Texturizado x poliuretano |
−0,725 |
0,224 |
0,010 |
−1,287 |
−0,163 |
|
|
Células gigantes |
Poliuretano x liso |
1,250 |
0,305 |
0,001 |
0,487 |
2,013 |
|
Texturizado x liso |
0,000 |
0,321 |
1,000 |
−0,804 |
0,804 |
|
|
Texturizado x poliuretano |
−1,250 |
0,305 |
0,001 |
−2,013 |
−0,487 |
|
|
Tecido de granulação |
Poliuretano x liso |
−0,125 |
0,293 |
0,905 |
−0,857 |
0,607 |
|
Texturizado - Liso |
−0,750 |
0,308 |
0,058 |
−1,522 |
0,022 |
|
|
Texturizado - Poliuretano |
−0,625 |
0,293 |
0,105 |
−1,357 |
0,107 |
|
|
Fibrose |
Poliuretano x liso |
0,125 |
0,131 |
0,612 |
−0,203 |
0,453 |
|
Texturizado x liso |
0,250 |
0,138 |
0,188 |
−0,095 |
0,595 |
|
|
Texturizado xpoliuretano |
0,125 |
0,131 |
0,612 |
−0,203 |
0,453 |
Comparamos cada tipo de implante (liso, texturizado e de poliuretano), dentro de cada variável (material refringente, linfócitos, neutrófilos, macrófagos, células gigantes, tecido de granulação e fibrose). Ao observar os dados, pode-se concluir que as variáveis: material refringente, linfócitos, macrófagos e células gigantes apresentaram diferença significativa (p < 0,05) quando comparadas entre os tipos de implantes (liso, texturizado e poliuretano). Já as variáveis neutrófilos, tecido de granulação e fibrose não apresentaram diferenças estaticamente relevantes (p > 0,05) quando comparadas entre os tipos de implantes.
A inflamação aguda foi observada através da presença de neutrófilos, e de acordo com a análise histopatológica, o implante liso provocou uma inflamação aguda em 37,5% dos ratos; o texturizado em 12,5% dos ratos; e o revestido de poliuretano em 40% dos ratos.
De acordo com a [Tabela 2], não houve diferença estatística relevante (p > 0,05) entre os tipos de implantes.
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IC95% |
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|---|---|---|---|---|---|---|
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Variável |
Comparação |
Diferença média |
Erro padrão |
p |
Inferior |
Superior |
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Poliuretano x liso |
−0,350 |
0,325 |
0,537 |
−1,163 |
0,463 |
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|
Neutrófilos |
Texturizado x liso |
−0,625 |
0,342 |
0,183 |
−1,482 |
0,232 |
|
Texturizado x poliuretano |
−0,275 |
0,325 |
0,678 |
−1,088 |
0,538 |
A inflamação crônica foi observada através da presença de linfócitos e macrófagos e pode ser observada na [Fig. 14]. As células foram quantificadas através de cruzes (+), segundo as quais zero (0) representa a ausência de células e 2 cruzes (++) presença moderada de células. Não houve presença intensa de células (++ + ) em nenhum tipo de implante.


A [Tabela 3] mostra que não houve diferença estatística significativa (p > 0,05) entre os implantes lisos e de poliuretano. No entanto, houve diferença estatística significativa (p < 0,05) ao comparar os implantes texturizados versus lisos e de poliuretano.
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IC95% |
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|---|---|---|---|---|---|---|
|
vVariável |
Comparação |
Diferença média |
Erro padrão |
p |
Inferior |
Superior |
|
Poliuretano x liso |
0,300 |
0,188 |
0,266 |
−0,170 |
0,770 |
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Linfócitos |
Texturizado x liso |
−0,500 |
0,198 |
0,048 |
−0,995 |
−0,005 |
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Texturizado x poliuretano |
−0,800 |
0,188 |
0,001 |
1,270 |
−0,330 |
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Poliuretano x liso |
−0,025 |
0,224 |
0,993 |
−0,587 |
0,537 |
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Macrófagos |
Texturizado x liso |
−0,750 |
0,237 |
0,011 |
−1,342 |
−0,158 |
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Texturizado x poliuretano |
−0,725 |
0,224 |
0,010 |
−1,287 |
−0,163 |
A reação de corpo estranho foi observada através da presença de células gigantes. Nos implantes lisos, apenas 25% dos ratos apresentaram reação de corpo estranho ([Fig. 15]). O mesmo ocorreu com os implantes texturizados, 25% dos ratos apresentaram reação de corpo estranho ([Fig. 16]). Já nos implantes revestidos por poliuretano, 10% dos ratos não apresentaram nenhuma reação de corpo estranho, 40% dos ratos apresentaram reação leve, 40% dos ratos apresentaram reação moderada e 10% dos ratos apresentou reação intensa ([Fig. 17]).






Conforme a [Tabela 4], não houve diferença estatística relevante (p > 0,05) quando comparados os implantes liso e texturizado. Quando comparados entre si, os implantes liso e de poliuretano, e os texturizado e de poliuretano apresentaram diferença estatística significante (p < 0,05).
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IC95% |
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|---|---|---|---|---|---|---|
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Variável |
Comparação |
Diferença média |
Erro padrão |
p |
Inferior |
Superior |
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Poliuretano x liso |
1,250 |
0,305 |
0,001 |
0,487 |
2,013 |
|
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Células gigantes |
Texturizado x liso |
0,000 |
0,321 |
1,000 |
−0,804 |
0,804 |
|
Texturizado x poliuretano |
−1,250 |
0,305 |
0,001 |
−2,013 |
−0,487 |
A fibrose foi dividida em três categorias: leve, moderada ou intensa. Os implantes lisos apresentaram predominantemente fibrose moderada (87,5%), enquanto os texturizados apresentaram 87,5% de fibrose moderada e 12,5% intensa. Já os implantes de poliuretano demonstraram 100% de fibrose moderada. O tecido de granulação sofreu a mesma categorização. Nos lisos, predominaram as formas moderada e intensa (37,5% cada). Nos texturizados, a maioria foi leve (62,5%).
De acordo com a [Tabela 5], não houve diferença estatística relevante (p > 0,05) quando analisados a presença de tecido de granulação e de fibrose nos 3 implantes estudados.
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IC95% |
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|---|---|---|---|---|---|---|
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Variável |
Comparação |
Diferença média |
Erro padrão |
p |
Inferior |
Superior |
|
Poliuretano x liso |
−0,125 |
0,293 |
0,905 |
−0,857 |
0,607 |
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Tecido de gran ulação |
Texturizado x liso |
−0,750 |
0,308 |
0,058 |
−1,522 |
0,022 |
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Texturizado x poliuretano |
−0,625 |
0,293 |
0,105 |
−1,357 |
0,107 |
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Poliuretano x liso |
0,125 |
0,131 |
0,612 |
−0,203 |
0,453 |
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Fibrose |
Texturizado x liso |
0,250 |
0,138 |
0,188 |
−0,095 |
0,595 |
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Texturizado x poliuretano |
0,125 |
0,131 |
0,612 |
−0,203 |
0,453 |
O material refringente correspondeu à presença de resíduos dos implantes. A análise histopatológica concluiu que apenas as amostras dos implantes revestidos por poliuretano apresentaram resíduos de implantes, e correspondeu a 50% das amostras do grupo C. Este fato comprova que o revestimento de poliuretano induz uma resposta inflamatória intensa e faz com que a cápsula formada ao redor do implante se integre ao revestimento.
De acordo com a [Tabela 6], não houve diferença estatística relevante (p > 0,05) quando comparados os implantes liso e texturizado entre si. Quando comparados entre si, os implantes liso e de poliuretano, e os texturizado e de poliuretano apresentaram diferença estatística significante (p < 0,05).
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IC95% |
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|---|---|---|---|---|---|---|
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Variável |
Comparação |
Diferença média |
Erro padrão |
p |
Inferior |
Superior |
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Poliuretano x liso |
0,600 |
0,207 |
0,022 |
0,081 |
1,119 |
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Material refringente |
Texturizado x liso |
0,000 |
0,219 |
1,000 |
−0,547 |
0,547 |
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Texturizado x poliuretano |
−0,600 |
0,207 |
0,022 |
−1,119 |
−0,081 |
Discussão
A escolha do animal de experimentação, rato Wistar, baseou-se por ele ser de fácil obtenção, fácil manuseio, por estarem adaptados ao ambiente artificial, bem como na possibilidade de colocação de três implantes num mesmo animal. Suas dimensões não interferem nas análises das características macroscópicas e microscópicas.[8]
Diversos pesquisadores utilizaram roedores para experimentos com implantes de silicone,[9] e de acordo um trabalho recente, a reação tecidual provocada pelas próteses mamárias de silicone leva à formação de uma cápsula periproteica, que é semelhante em animais de experimentação e em humanos.[10]
Neste estudo, os implantes revestidos por poliuretano apresentaram intensa reação inflamatória aguda, com grande número de células gigantes englobando parcialmente o material do implante, denotando um processo inflamatório de corpo estranho, característico deste material, corroborando com os achados de diversos estudos semelhantes.[9] Essa reação inflamatória aguda foi observada tardiamente, caracterizando uma inflamação crônica com presença de linfócitos e macrófagos.
A presença de material refringente (resíduo do implante) apenas nas amostras dos implantes revestidos de poliuretano evidencia uma maior resposta inflamatória, em comparação com os outros tipos de implantes, liso e texturizado, que não apresentaram material refringente na análise histopatológica. Deve-se atentar para o fato que o revestimento de poliuretano se integra à membrana que envolve o implante, devido à maior resposta inflamatória.[11] [12]
Portanto, em comparação com os implantes lisos e texturizados, pode-se dizer que o implante revestido por poliuretano causou maior reação de corpo estranho, maior inflamação aguda e crônica e uma maior presença de tecido de granulação.
Conclusão
Neste estudo, após a comparação da reação inflamatória provocada pelos três tipos de implantes, liso, texturizado e revestido de poliuretano, conclui-se que:
-
a) O implante revestido de poliuretano causou mais inflamação aguda ao ser comparado com os implantes liso e texturizado;
-
b) A inflamação crônica foi maior nos implantes revestidos por poliuretano e menor nos implantes texturizados;
-
c) Os implantes revestidos por poliuretano apresentaram reação de corpo estranho em 90% dos ratos, enquanto os implantes lisos e texturizados apresentaram essa reação em apenas 25% dos ratos;
-
d) A fibrose causada pelos implantes lisos, texturizados e revestidos de poliuretano foi praticamente igual em todos os casos. O tecido de granulação ao redor dos implantes revestidos de poliuretano foi de 80% em quantidade moderada, indicando uma maior reação inflamatória.
-
e) Os implantes revestidos de poliuretano foram os únicos que apresentaram dificuldade na remoção da membrana que os envolvia, fato comprovado pela análise histopatológica, pois foram as únicas amostras que apresentaram material refringente, ou seja, resquícios do revestimento de poliuretano.
Conflito de Interesses
Os autores não têm conflito de interesses a declarar.
Disponibilidade dos Dados
Os dados serão disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente.
Contribuições dos Autores
CES: conceitualização, concepção e desenho do estudo, investigação, metodologia, realização das operações e/ou experimentos, redação – preparação do original, redação – revisão e edição; DLP: gerenciamento do projeto, supervisão; HAG: supervisão; LC: redação – preparação do original, redação – revisão e edição.
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Referências
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- 4 Sperli A, Bersou Junior A, Freitas JOG, Michalany N. Complicações com próteses mamárias. Rev Bras Cir Plást 2000; 15 (03) 33-46
- 5 Valencia-Lazcano AA, Román-Doval R, De La Cruz-Burelo E, Millán-Casarrubias EJ, Rodríguez-Ortega A. Enhancing surface properties of breast implants by using electrospun silk fibroin. J Biomed Mater Res B Appl Biomater 2018; 106 (05) 1655-1661
- 6 Kumar V, Abbas AK, Fausto N, Aster JC. organizadores. Robbins & Cotran Patologia – bases patológicas das doenças. 8ª ed.. Rio de Janeiro: Elsevier; 2004
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- 8 Fagundes DJ, Taha MO. Modelo animal de doença: critérios de escolha e espécies de animais de uso corrente. Acta Cir Bras 2004; 19 (01) 59-65
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Endereço para correspondência
Publication History
Received: 21 March 2025
Accepted: 26 August 2025
Article published online:
13 February 2026
© 2026. The Author(s). This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution 4.0 International License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)
Thieme Revinter Publicações Ltda.
Rua Rego Freitas, 175, loja 1, República, São Paulo, SP, CEP 01220-010, Brazil
Caio Engelbrecht de Souza, Décio Luís Portella, Hamilton Aleardo Gonella, Luciana Canabarro. Avaliação histopatológica da resposta inflamatória e formação capsular com implantes lisos, texturizados e de poliuretano em ratos. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2026; 41: s00461816074.
DOI: 10.1055/s-0046-1816074
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Referências
- 1 Monteiro Ll, Mangiavacchi W, Machado DG. A evolução das próteses mamárias e os métodos de incisão utilizados em procedimentos de mamoplastia de aumento. Rev Bras Cir Plást 2022; 37 (01) 125-131
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